‘Há um caos administrativo na prefeitura’, diz presidente da CPI das Enchentes

A Comlurb, que era vinculada à Secretaria de Conservação, passou para a Casa Civil na administração de Marcelo Crivella. Mas não consta nas atribuições da Casa Civil nenhuma função ligada à conservação ou limpeza urbana. Para o secretário Paulo Albino Santos Soares, isso “pode até não fazer sentido, mas não atrapalha o funcionamento”. A frase foi dita por Soares em depoimento durante reunião da CPI das Enchentes na tarde da última quinta-feira (03/10) e causou estranhamento aos parlamentares.

“Essa sessão confirmou que há um caos administrativo, uma bagunça no organograma da prefeitura, na relação entre os órgãos subordinados às secretarias”, ressaltou o presidente da CPI, Tarcísio Motta (PSOL).

Na mesma sessão, os vereadores foram apresentados, pelos representantes da Casa Civil, a um Plano de Desenvolvimento Sustentável com ações de curto, médio e longo prazo, até 2050, que inclui um Plano de Ação Climática. A apresentação causou outro estranhamento aos vereadores porque nenhum secretário interrogado pela CPI anteriormente havia mostrado qualquer conhecimento sobre esta iniciativa. “A Casa Civil é uma secretaria que tem que cumprir suas funções de planejamento e de integração dos órgãos da prefeitura. Esse planejamento não está chegando às secretarias e órgãos, que parecem descoordenados. Isso é lamentável e certamente teve reflexos no caos que a cidade viveu nas chuvas fortes deste ano”, disse Motta.

Instalada em março, a CPI das Enchentes pretende apontar soluções e apurar a responsabilidade do poder público na prevenção, redução dos efeitos e atendimento aos atingidos pelas enchentes e deslizamentos ocorridos nos temporais de fevereiro e abril de 2019.