Seconserva na CPI das Enchentes: mais reação do que prevenção

Secretário se queixa da falta de recursos e confessa não ter como fazer planejamento

“Como vou olhar pra frente se não tenho recursos para dois meses?”. A pergunta, em tom de indignação, foi ao mesmo tempo uma resposta do secretário de Conservação do município do Rio de Janeiro, Roberto Nascimento Silva, durante a sessão da CPI das Enchentes, realizada nesta quinta-feira, na Câmara dos Vereadores. Isso porque o presidente da CPI, Tarcísio Motta (PSOL), queria saber como a Secretaria de Conservação (Seconserva) se planeja para prevenir a cidade de inundações.

A falta de recursos do órgão foi mencionada em diversos momentos do depoimento de Silva, que está à frente da secretaria há um ano e dois meses. Atualmente, a Seconserva tem uma dívida de R$ 51 milhões com empresas de manutenção.  Para continuar funcionando, o órgão usa aportes orçamentários emergenciais, já que não há recursos ordinários. Como se não bastasse, Silva adiantou que o orçamento da Seconserva para 2020 será menor que o de 2019.

Outra preocupação dos vereadores durante a sessão foi a falta de integração dos órgãos da Prefeitura, o que torna ainda mais distante a possibilidade de haver um planejamento efetivo, nesta gestão, para proteger a cidade e os moradores dos eventos climáticos extremos. “A prefeitura trabalha só reativamente, na hora que a emergência acontece. Os cargos públicos são usados no xadrez político como moeda de troca e as pessoas estão pagando isso com a vida. O relatório da CPI vai apontar esses absurdos”, ressaltou Tarcísio Motta.

O secretário informou ainda que a Rio-Águas, apesar de estar vinculada à Seconserva, reporta-se diretamente ao prefeito. Cabendo à Seconserva o apoio, se necessário, o que reforça a conclusão da CPI sobre a falta de integração entre os órgãos. A recente nomeação do presidente da Rio-Águas, por exemplo, não passou pelo secretário. “Soube pelo Diário [Oficial]”, disse Silva.